sendo eu mais uma personagem de mim mesma, por ora não encontro palavras certas – ou exatas – que consigam me descrever (pra ser sincera, nem sei se algum dia seria capaz disso). mas posso adiantar o seguinte: eu sou assim.

sendo eu mais uma personagem de mim mesma, por ora não encontro palavras certas – ou exatas – que consigam me descrever (pra ser sincera, nem sei se algum dia seria capaz disso). mas posso adiantar o seguinte: eu sou assim.

janaína, ou janababy, foi uma bailarina clássica petit, e até hoje ainda caminha fazendo pliés e pas de bourrées pelas ruas de poa. desceu o mapa do brasil de ponta a ponta para aventurar-se no frio do rio grande, e jura por tudo quanto é santo que seu dedão do pé morreu roxo quando tentava atravessar um dos invernos rigorosos dos pampas. janababy nasceu na ilha maravilha e foi lá que aprendeu a comer lasanha com farinha d’água e a degustar guaraná jesus como se fosse espumante. por sua silhueta sempre esbelta, arrisca usar as menores roupas prêt-à-porter. ninguém acredita, mas para manter o peso ela não mantém restrição alimentar alguma, e é capaz de devorar uma feijoada completa em pleno jantar. seu idioma escolhido é o francês, e pelo trabalho é capaz de fazer as maiores produções do mundo da cultura, que vão da dança ao cinema, passando pelas artes e pela literatura. usa os correios para mandar presentinhos aos amigos, e normalmente presta atenção nos pequenos detalhes. ri por qualquer coisa, e guarda uma curiosidade tão grande pelo mundo que decidiu fazer turismo. não recebeu esse nome à toa, pois guarda uma força interna enorme, e para isso mantém-se o tempo todo ligada ao mar, apesar do atual distanciamento físico…
“quanto nome tem a rainha do mar? dandalunda, janaína, marabô, princesa de aiocá, inaê, sereia, mucunã, maria, dona iemanjá, alodê, odofiaba, minha-mãe, mãe-d’água, odoyá!”
personagem do dia: elke-há-de-melhor.
elke-há-de-melhor parece um orixá. sempre que pode, não perde uma festa de candomblé – é movida pelo batuque de um tambor. tem um ótimo gosto musical e samba como ninguém, além de cantar e tocar – e bater palmas! é naturalmente glamourosa e purpurinada. pra ela, gente é pra brilhar! tem os olhos de um verde intenso, que combinam perfeitamente com os cachos de seus cabelos, ora vermelhos, ora castanhos. mantém sem esforços uma voz rouca, e bebe água de dois em dois minutos. elke-há tem as pernas de um yogue, senta-se como se fosse uma flor de lótus; mas, quando acorda, é toda desengonçada, capaz de pisar na clavícula de quem estiver pela frente! por detestar que seu aniversário sempre caísse na época das festas juninas, suas comidas preferidas até hoje são coxinha e brigadeiro! mantém um bom gosto pra moda impressionante e, quando entra num brechó, é comum que saia com as roupas mais bonitas. carrega uma tatuagem de borboletas no tornozelo, e não pretende parar por aí. além de sushi e sashimi, adora importar do oriente um nissei-sansei! gosta de cozinhar, mas em compensação não suporta lavar louça. como boa canceriana, cuida bem da casa e do cachorro (como se fosse de gente), e se preocupa com as futuras gerações: não pretende ter filhos – pelo menos, por enquanto…
elke-há é progresso sempre: elke-há-de-mais-moderno! oxalá!
personagem do dia: nêgo-véio.
nêgo-véio nasceu no dia do meu aniversário, só que três anos depois. com ele, fechamos o quarteto geminiano mais “s-e-n-s-a-c-c-i-o-n-a-l” (como diria o rapazote) de todos os tempos. não posso dizer que é um sujeito típico regido por esse signo, mas certamente tem dias de andar sozinho, e dias de ir para a rua. de gêmeos, carrega na boca os dois dentes da frente e, quando abre aquele sorrisão, mostra logo o par, que se destaca dos demais (os dentes ficam ali, inclinados, como se estivessem num carrinho de bebê). mantém permanentemente um risinho de canto de boca, sua maior característica é a ironia-discreta. costuma usar camisas babylook, sobre as quais sai logo na defesa: “são tamanho P!”, diz que é style. é flamenguista, mas seu time de coração é o sergipe, estado em que nasceu e tomou seu primeiro banho de civilização. já teve todo tipo de corte de cabelo: “a la jesus cristo” (com direito a barba e bigode), raspado, “filhinho caçula de mamãe”… depois de uma grande noitada regada a vinho e boas conversas, neguinho adora deitar-se no coreto da praça perto de casa, ali é o seu mundo. quando a história fica mais acalorada, levanta as sobrancelhas, fala alto e interpreta tudo detalhadamente, como um bom aprendiz de canalha-romântico. importou de aracaju para o rio os mais complexos conceitos sobre o amor: “swing muleke” e “esquentar a costelinha”, que só ele mesmo compreende o que possam significar. faz seis meses que promete consertar a bicicleta, e só enche os pneus num ritual próprio, sempre em postos de gasolina. a renovação da carteira de motorista também está na sua lista de pendências - desde que chegou na cidade maravilhosa, há quase dois anos… é a única pessoa que conheço praticante de krav magá. neguinho é um mistério, oras silêncio, oras falação. cozinha peixe ao forno, e se dedica inteiramente à pescaria – é cheio de histórias de pescador! nêgo-véio, pá-pá-pá!
amigo na alegria e na tristeza, amigo do peito!
adendo.
personagem do dia: ainda amigo burgos.
tenho recebido excelentes e fundamentais contribuições para que consiga compor da maneira mais completa minhas incríveis personagens - apesar de desconfiar que, de tão complexas, jamais conseguirei alcançar a verdadeira essência de cada um.
o fato é que olhares mais atentos mostraram que deixei escapar alguns detalhes viscerais de nosso amigo. se a vida é mesmo um teatro, ele certamente é um dos maiores protagonistas. então, vamos aos acréscimos:
amigo burgos sempre arruma a casa antes que a faxineira chegue - sente vergonha do seu próprio caos. um dia, ainda vai lançar um livro: “coletânea completa de trocadilhos burgeanos – proibido para menores. sacanagens e delírios de um trintão carioca”. é capaz de coisas que até deus duvida, portanto, jamais o desafie com um ingênuo “eu duvido!”. burgos é um pé-de-valsa completo - uma das coisas que mais gosta de fazer na vida é dançar, e faz performances (onde quer que esteja) que vão da dança do acasalamento às gloriosas auto-festas-marido-da-cabeleireira, já tão bem propagadas pelo amigo nêgo-véio!
acho que é isso! caso tenha esquecido algum detalhe, mandem mais informações!
e viva o amigo burgos!
personagem do dia: santa clara-clareou.
santa clara-clareou, vira e mexe, comete o pecado da gula. ninguém como ela franze a testa quando fala. piadista nata e hereditária, sempre solta um risinho quando termina a piada – sabe que é engraçada. ajeita os óculos de “gatinha do leblon”, e para manter a fama e o bronze, passa os finais de semana na praia. anda distraída pelas ruas do rio, e nem chega a perceber o pé que pisa errado. santa clara canta loucamente e é afinada, mas não se pode dizer que é a melhor dançarina. faz questão de manter a cabeleira loura, e foi um dos bebezinhos mais fofos que já vi. se recusa a tomar remédio, mas é viciada em própolis e ameixa umeboshi, a novidade do momento. domina o francês, e todos os anos viaja atéééé paris, mas também não dispensa um bom passeio por teresópolis e ilha grande. clara-clareou é intensa e, como boa geminiana, indecisa. muda de opinião de cinco em cinco minutos, e é capaz de optar pelo contrário com a mesma força. seu apelido é empolga-desempolga. é metida a intelectual e a não-intelectual ao mesmo tempo. ou é simplesmente metida. quando quer, não se enrola e emprega um desajeitado traquejo social que dá certo. promove as melhores auto-festas-coletivas! usa sempre os mesmos pretextos pra poder furar um programa: “tenho almoço (ou jantar) na casa de um irmão, de um primo, de um tio, de um parente distante…” a família é enoooorme! é chique, mas ao mesmo tempo preguiçosa: pode ir de biquíni por baixo da roupa do trabalho só para não ter que se trocar quando for para a natação. santa clara adora água – que passarinho não bebe. nunca dirigiu, e é a maior defensora dos transportes públicos e das longas caminhadas. ah, e ela adora virar “post do dia seguinte”!
que santa clara-clareou continue a nos iluminar!
personagem do dia: amigo burgos.
amigo burgos carrega uma alma rodriguiana. sabe imitar macaco com perfeição, e também imita dinossauro, mas essa performance nunca vi – ele garante que é sensacional, e não é pra qualquer um! atrasa em todos os compromissos que vai e sempre chega ofegante, inventando a mesma desculpa: perdi tempo fazendo nada! tem a mania de prender o nariz com o polegar e o indicador e encher a boca de ar pra desentupir os ouvidos. usa camisas havaianas e sandálias que compra dois números a mais. tem as pernas que parecem ser de outra pessoa: um dia chegou para alguém que passava na rua e sugeriu a troca, foi quando carregou as pernas alheias pra casa. se balança todo quando ri e, ao mesmo tempo, bate palmas. carrega uma leve voz de vício e fuma charuto. tem várias manias bizarras, uma delas é sair comprando remédios nas farmácias. quando bebe xarope, passa cerca de 15min batendo o copinho no dente da frente pra tentar descer a última gotinha. amigo burgos lê o tempo todo, inclusive enquanto escova os dentes e quando dorme (nessas horas abraça com carinho seu livrinho de pelúcia). tem sempre histórias compridas pra contar (zzzzzzzz), e coisas lindíssimas a ensinar. burgos é de gêmeos e quase nasceu no dia do meu aniversário. fala mais do que eu, e fala alto. burgos é a boemia personificada. canalha-romântico assumido e defensor da classe. gesticula quando está empolgado, e costuma repetir algumas palavras seguidamente: cervejinha? cervejinha? grande companheiro descoberto nesse são sebastião.
salve amigo burgos!
a propósito, o título desse post é de um livro do rubem fonseca.
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