os rataplãs dos tambores gratificam!

Junho 3, 2008

fecha um ciclo, começa outro…

Arquivado em: papo serio — by caroline @ 2:11 pm

aos que acompanharam – e aos que não – a vida dessa página, informo a todos que ela chegou ao fim, nessa data querida, para que outros projetos possam se realizar.

Maio 31, 2008

que diferença da cpmf a css tem?

Arquivado em: papo serio — by caroline @ 9:30 pm

“esperaí que eu vou dizer, meu bem. é que a cpmf tem cabelo no peito, tem o queixo cabeludo e a css não tem…”

mesmo com toda aquela decidação quase “maternal” que cada político favorável à css nos oferece para tentar explicar que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa – e que ambas são “importantíssimas” - continuo sem entender a diferença entre cpmf (contribuição provisória sobre movimentação financeira) e sua nova máscara, a css (contribuição social da saúde) – já que ambas vão continuar saindo da minha conta e indo a lugar nenhum, ou melhor, irão parar nas notas da lancha ou do jatinho de qualquer um desses deputados f.d.p.

também continuo sem entender o ostracismo total a que chegou a política brasileira, e se atualmente não voto não é só porque estou “em trânsito” – já poderia ter transferido o título de eleitora para exercitar a cidadania a que tenho direito -, mas é principalmente porque não tenho nem vontade nem esperança.

sei que ficar apenas falando mal à distância e deixar que os outros (“o inferno são os outros”) votem e decidam não é a melhor opção. mas acaso existe outra? escolher entre sidney magal, wagner monte ou gretchen, ainda prefiro optar pela minha dignidade – essa que é, de longe, a maior e melhor contribuição (financeira e/ou social) que posso dar ao país.

Maio 17, 2008

esperando godot

Arquivado em: papo serio — by caroline @ 7:04 pm

as grandes questões sobre o tempo e o espaço não são – nem foram, nem serão – só minhas (isso foi uma das frases mais óbvias que já escrevi). pois bem, quase todo mundo, de algum modo, carrega no seu dna uma certa curiosidade sobre os temas - ainda que no desenrolar da vida acabe esquecendo, propositadamente ou não. pensar nisso é conviver com uma dúvida universal, atemporal, existencial e diria ainda que quase perversa, porque simplesmente as respostas não existem ou são “relativas”, o que termina dando no mesmo: o mistério. 

bom, nesse fascínio pululante que não deixa ninguém em paz, sempre que posso procuro acompanhar essa busca dos físicos e dos neurocientistas, que, vira e mexe, batem cabeça por conta disso. andei lendo esse artigo na american scientific, e eis que algumas informações interessantes (ainda que muitas já conhecidas) foram reveladas a nós mortais, analfabetos e ignorantes da ciência. por exemplo, ”por que o tempo parece passar cada vez mais depressa à medida que envelhecemos” ou por que “experimentamos a sensação de o tempo ‘voar’, quando estamos em lugares ou situações agradáveis, ou de se ‘arrastar’, nos momentos em que esperamos com ansiedade algo acontecer”. 

a revelação-mor é feita na metade do texto: “podemos dizer que, em essência, somos as nossas memórias. aquilo que declaramos e contamos compõe a chamada memória declarativa, da qual fazem parte fatos sobre o mundo e sobre nossas próprias experiências. estima-se que mais da metade das conversações adultas se refiram a eventos passados ou futuros (…) viajando no tempo, entre memórias e projetos, podemos reavaliar experiências passadas, com suas possíveis causas, e ponderar cenários futuros, com suas eventuais conseqüências (…) existe nítida assimetria entre a memória de um evento passado, cristalizado e único em sua realidade, e a expectativa de um evento futuro, aberto e múltiplo em suas potencialidades”.

no final, o autor cita heráclito, que ”via o universo como um processo contínuo de mudança: ‘todas as coisas estão em perpétuo estado de fluxo’ (…) no mesmo rio entramos e não entramos, somos e não somos’; platão, que acreditava que “o tempo seria uma ‘imagem móvel da eternidade’; e, enfim, refere-se a santo agostinho como “o primeiro pensador ocidental a destacar claramente o caráter subjetivo do tempo”, para quem “passado e futuro não existem. quando olhamos para o passado, ele já se foi: é uma memória. quando procuramos o futuro, ele ainda não chegou: é uma expectativa”.

tenho impressão (mas ela também é relativa e é apenas uma impressão) de que samuel beckett estava certo: se somos ”vladimir” ou se somos ”estragon” não importa, o fato é que vivemos ”esperando godot”, continuamos à espera de alguém que não sabemos quem seja, nem sabemos se virá, nem quando virá. apenas esperamos e anulamos nosso tempo presente – que pelo visto não passa mesmo de uma grande ilusão. 

Maio 16, 2008

dia internacional de histórias de vida!

Arquivado em: papo serio — by caroline @ 2:18 am

Maio 13, 2008

planeta dos macacos

Arquivado em: papo serio — by caroline @ 1:08 am

deu-se a desgraça. a curtíssimo prazo, as grandes capitais ficarão:

1- intransitáveis;

2- sem água potável;

3- poluidíssimas;

4- mais barulhentas;

5- mais violentas;

6- mais desiguais;

7- vulneráveis às ações violentas da natureza;

8- menos verdes;

9- menos saudáveis;

10- menos possíveis…

“e agora josé?” a festa acabou…

Maio 11, 2008

cantiga de roda às avessas

Arquivado em: papo serio — by caroline @ 1:04 pm

na minha idade, é natural que no meio de uma conversa ou outra com as amigas, sobre anti-rugas, drenagem linfática e acupuntura, surja a grande dúvida sobre ”ter ou não ter filhos” – eis a questão. como a maioria anda preferindo o “não”, alguém sempre recita o “poema enjoadinho” de vinícius: “filhos… melhor não tê-los, mas se não os temos, como sabê-los?” e eis que a incerteza cruel fica suspensa no ar, enquanto o relógio biológico não pára…

as justificativas mais votadas pelas mães em potencial são: violência, tristeza e complexidade (em todos os sentidos) dos dias atuais – com as quais concordo plenamente. pois muito bem, dia desses, numa dessas idas ao trabalho, escuto duas ou três menininhas no térreo do prédio brincando ingenuamente de “atirei o pau no gato”.

os cinco ou seis passos que dei enquanto me distanciava delas foram suficientes para um insigth avassalador e óbvio, daqueles que só se tem duas ou três vezes na vida. pensei: de quando datam as cantigas de roda? ninguém sabe, são de domínio popular. porém, se prestarmos mais atenção às suas letras, ficaremos perplexos diante de tanta tristeza, violência e complexidade… 

em “atirei o pau no gato” a intenção da criança é a de matá-lo(!), “mas o gato-tô não morreu-reu-reu”; “peixe vivo” guarda uma saudade e uma tristeza tão grandes que até hoje me fazem chorar, “a minh’alma chorou tanto que de pranto está vazia”; “caranguejo” fala para a “crioula da bahia pegar essa menina e jogá-la na bacia”; e vai lém! tom zé, em um de seus shows revela que recebeu os primeiros ensinamentos sobre sexo com a cantiga “o cravo e a rosa”.

afinal, do que era que estávamos reclamando mesmo? a violência compõe a natureza humana, assim como a tristeza e a complexidade - e não estou aqui fazendo nenhuma apologia a nada disso, muito pelo contrário: sou 100% (ou mais) a favor da paz eterna. apenas questiono o seguinte: a escolha pela maternidade não pode depender da espera(nça) por uma sociedade ideal e livre das atrocidades humanas, porque elas existirão sempre, como sempre existiram.

ser mãe, além de uma disposição enorme ao amor incondicional (sem medo e sem pressa), deve depender apenas de encontrar um cara bacana e apaixonado que queira repovoar o planeta de pessoinhas felizes! e lá vem vinícius de novo: “que coisa louca, que coisa linda que os filhos são!” o dia das mães é hoje e sempre. feliz dia das mães!

       

Maio 5, 2008

da caixa de pandora

Arquivado em: papo serio — by caroline @ 2:45 am

curiosíssima a história da “caixa de pandora”, principalmente quando recebemos uma – e não sabemos o que fazer com ela. para quem desconhece, a tal “caixa” escondia todos os males que haveriam de afligir a humanidade dali em diante: a velhice, o trabalho, a doença, a loucura, a mentira e a paixão. e no fundo da caixa, claro, restava apenas a esperança – como sempre, a última.

infelizmente, cada um recebe a sua “caixa” quando nasce, e dali pra frente tem o livre arbítrio de usá-la como pode – só não existe a opção de não usá-la. e tem gente pra tudo - essa é a parte mais assustadora: gente que só vive na mentira, gente que enlouquece, que ama demasiadamente e gente que cai enferma, enquanto a velhice sai costurando um a um, com o cuidado de não deixar ninguém escapar…

nesse contexto, conhecer a si mesmo e conhecer gente nova é quase a mesma coisa: é o risco máximo a que estamos sujeitos, pois a “caixa de pandora” nada mais é do que uma grande “caixa de surpresas”, para a qual não existe nenhuma garantia. assim, o processo interno de reconhecimento e o inicício de uma relação (e isso inclui os diversos tipos: família, amigos, namorados, trabalho) é justamente a concentração das inúmeras possibilidades de “pandora”, ou seja, o risco da decepção é quase 100%. então, surge a pergunta: e agora?

é nessa hora que nos agarramos com toda força à esperança - ela não ficou por último por acaso. diante disso, resta-nos apenas compreendermos a nós mesmos (seja lá como a gente for) e aos outros (seja lá como eles forem), no melhor estilo “I want to hold your hand”, para que consigamos manter alguma fé. pois, apesar de tudo, o risco de nos decepcionarmos é a única (e maior) prova de que estamos vivos. assim, aceitar que precisamos uns dos outros é talvez o primeiro passo para que isso se realize, e o mais importante de tudo é oferecermos aos outros o nosso melhor, sempre – ou quase sempre. 

Abril 27, 2008

miséria é miséria em qualquer canto

Arquivado em: papo serio — by caroline @ 1:33 am

por conta do trabalho, fui obrigada a desbravar uma grande parte do interior do rio de janeiro, indo a lugares que até deus duvida – nem mesmo os cariocas desconfiavam de suas existências no mapa (acredito que alguns distritos, de fato, sequer constem da cartografia estadual). pois bem, tudo isso é pra dizer que descobri o seguinte: cidade de interior é igual em todo lugar.

é a mesmíssima desgraça que paira sobre cada telhado mal construído, as mesmas ruelas sem saneamento, as casas tortas, os moradores maltratados, aquele sol quente que resseca até pensamento (incluindo aí qualquer sonho para o futuro), e um silêncio doloroso, desconfortável, quebrado apenas pelas motocicletas (das quais os motoristas e seus acompanhantes nunca ouviram falar em capacete, claro) que passam rasgando aquele ar fervente.

mas as semelhanças não param por aí.

o povo fluminense também vota muito mal, e por isso cometem o mesmo erro de legitimar uns poucos em detrimento da ingenuidade da maioria. a consequência é que o despreparo generalizado e a falta de consciência cidadã são sempre devorados pela fome alucinante das ONGs, que enxergam cifrão $$$ em qualquer prato vazio. impressionante mesmo é como são treinadas para transformar qualquer miséria em oportunidade, e para isso costumam andar por essas ”terras de ninguém” tão famintas quanto urubus na disputa pela carne mais podre e mais fedida - “os urubus só pensam em te comer!”

então, diante desse quadro terrível, (sub)emerge a pergunta das profundezas de todo esse pântano: votar em quem agora? confesso que é impossível retornar desses “passeios” acreditando que o mundo possa ser melhor, ou que, pelo menos, ainda tenha jeito. não creio. em face do esvaziamento total do discurso, de uma sustentabilidade propagada apenas aleatoriamente, de um futuro sem água, sem verde e sem ar puro; mas em compensação com mudança climática, desmatamento acelerado e fome, quem ainda acredita, cara pálida? quem?

Abril 24, 2008

esses casos de família e de dinheiro eu nunca entendi bem

Arquivado em: papo serio — by caroline @ 12:46 am

medeia.jpg

fedra enforcou-se porque apaixonara-se pelo enteado, hipólito (que por isso morreu a mando do próprio pai, teseu). jocasta também enforcou-se após descobrir que se casara com seu filho, édipo (que causou a morte do pai, laio, e depois, para punir-se, furou os próprios olhos). medéia matou seus dois filhos para que jasão, seu marido, sofresse as consequências de sua infidelidade. 

as tragédias em família sempre aconteceram desde que o mundo é mundo, mas ainda hoje impressionam. o recente caso da morte da pequena isabella, de são paulo, não seria diferente. até agora nada foi comprovado (e também não há confissões), mas ao que indica a polícia, o cerco começa a se fechar, apontando como culpados a madastra, que por ciúmes(?) teria asfixiado a enteada; e em seguida o pai biológico, que teria jogado o corpo da filha pela janela do apartamento.

nessas histórias de família, intrigante mesmo é o motivo que desencadeia tanto ódio ao ponto de provocar a morte - aquela que dá fim a tudo o que é matéria. não sei até que ponto o ato é instigado pela insanidade, pela potencialização total das emoções, ou simplesmente pela desistência de tudo (incluindo aí a fé). a única certeza é a de que nada justifica.

o que eu sempre soube é que nenhum amor está garantido, nem mesmo o de família – até este deve ser conquistado todos os dias. sei também que não é todo mundo que está preparado para ser pai ou mãe, mas pouca gente pensa nisso. ter filhos é talvez o maior de todos os desafios, e o importante é saber que tê-los sempre pode ser uma escolha, assim como também é opção aquilo que se deixa de herança aos descendentes. 

nessas horas, ou transmitimos “o legado da nossa miséria”, nossos traumas terríveis, nossas mazelas de alma, nossa angústia corrosiva e nossa intensa solidão; ou mostramos que é possível (apesar de tudo) viver com delicadeza, carinho, solidariedade e principalmente com amor. o problema é que, diante dessas escolhas, acabamos caindo nas armadilhas do inconsciente, pois costumamos agir ”como nossos pais”. a reação é em cadeia: deixamos de herança aquilo que recebemos.    

Abril 14, 2008

o grito

Arquivado em: papo serio — by caroline @ 3:48 am

a experiência de finalizar o mestrado me ensinou tanto que não saberia explicar aqui, com palavras, a intensidade do aprendizado (muito mais pessoal que profissional, claro). bom, mas de toda essa infinidade de dúvidas e críticas e incertezas provocadas pela vivência acadêmica, uma única conclusão bastante clara consegui tirar: a busca pelas definições e pelos enquadramentos é o maior equívoco que se pode cometer e certamente a maior bobagem que se pode ensinar a alguém. complexidade requer liberdade, só que infelizmente nem todo mundo pensa assim.

tudo bem, você dedica horas dos seus dias exclusivamente à leitura, se dispõe durante meses a buscar uma resposta, pensa e repensa e volta a pensar, dá asas à ansiedade, transforma a loucura latente em aliada, sofre com a pressão interna e externa por conta do prazo que se esgota (um dia a mais é sempre um dia a menos), sobrevive (deus sabe como) com uma merreca de bolsa, convive com as pessoas mais malucas possíveis (ok, você é até um pouco mais sensível que o restante dos mortais), mas, saiba, nada disso fará de você um verdadeiro intelectual.

o verdadeiro intelectual é admirável, e mais: ele é humano e não tem vergonha de sê-lo. sempre imaginei que quanto mais livros se lesse, automaticamente mais humanizado você se tornaria. e esse processo aconteceria de uma forma tão natural e tão imperceptível, que nem mesmo o candidato à intelectualidade perceberia a metamorfose interna - até o momento em que esse silêncio se transformasse em potencial criativo em expansão (é quando a mudez se rompe, misturando curiosidade com desejos de compartilhar as descobertas).

pois muito bem, qual não foi minha surpresa quando descobri que naquela universidade em que estudava existiam pouquíssimos intelectuais verdadeiros (aliás, eles são raríssimos e não existem em qualquer universidade de esquina). e isso naturalmente me deixou um tanto decepcionada, foi quando decidi procurar fora dali o que precisava, e é por esse motivo que reverencio tanto clarice, que me ajudou a encontrar o rumo das questões incertas e da negativa às definições frágeis e superficiais.

no livro ”a descoberta do mundo”, por exemplo, ela consegue libertar-se dos enquadramentos toscos a que as faculdades de letras e/ou de jornalismo insistem em impor: “sei que o que escrevo aqui não se pode chamar de crônica nem de coluna nem de artigo. mas sei que hoje é um grito. um grito! de cansaço. estou cansada!”. como não reconhecer a legitimidade desse texto?

é preciso deixar claro que essas imprecisões a que me refiro não estão perdidas no vazio, e muito pelo contrário. as questões mais duvidosas normalmente apresentam diversas respostas, o que as tornam indiscutivelmente bem mais completas e mais interessantes que as outras. e aqui chegamos ao ponto máximo: a complexidade do pensamento humano. tentar limitar essa característica tão fundamental é o mesmo que explicar o mistério: o final será o nada em sua forma menos interessante.   

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