os rataplãs dos tambores gratificam!

Abril 15, 2008

the bucket list

Arquivado em: filmes — by caroline @ 1:58 am

quem assistiu antes de partir, recente filme estreado por jack nicholson e morgan freeman, sabe do que vou falar agora. ambos estão doentes, com os dias contados, e acabam descobrindo uma forte amizade. então, juntos, decidem listar o que deveriam fazer antes de morrer. a idéia da lista é bacana, apesar de antiga e até meio clichê também, mas o ineditismo da história está no compremetimento em tentar cumpri-la até o último quesito.

o filme é envolvente. jack nicholson continua impagável com aquela eterna expressão que mistura o iluminado e melhor é impossível, e morgan freeman também não fica atrás com sua atitude marcante de senhor sábio e plácido. mas o que eu queria falar mesmo era justamente sobre a lista. fazer uma é fundamental para qualquer sobrevivência – sem o peso e o pânico da morte por trás, obviamente. entretanto, cumpri-la é ainda mais essencial.

tenho tentado construir a minha, mas não é tarefa tão fácil quanto parece. fazer escolhas é sempre angustiante, porque fatalmente você vai descartar possibilidades que talvez fossem interessantes também – tudo a depender da época, do contexto, dos desejos da hora. a lista, portanto, é adaptável, apesar de se manter sempre refém de uma certa urgência que é anterior a tudo: a urgência de estar vivo.

bom, mas acho que gostaria de começar a minha pelo ”banho de civilização” que é oferecido em aracaju (mas que ninguém sabe, nem saberá), compartilhado com um bando de novos amigos queridos e potencialmente eternos, como no filme. desconfio que esse seja um ótimo começo… e fico certa da escolha quando me vem caetano falando baixinho: “ser feliz, o melhor lugar é ser feliz, o melhor é ser feliz, onde estou, não importa tanto aonde vou, o melhor é ter amor, aracaju”. 

Abril 6, 2008

o marido da cabeleireira

Arquivado em: filmes — by caroline @ 1:04 pm

sempre falo desse filme (o título original é le mari de la coiffeuse), porque ele é particularmente hipnotizante. uma curiosidade é que a expressão “autofesta” (e suas derivações) surgiu depois da experiência de assisti-lo. e não posso deixar de revelar que os mais dedicados dançarinos do mundo moderno beberam dessa fonte - burgos é um exemplo vivo, quem o viu em atividade sabe do que estou falando. vejam quanto talento!

Março 26, 2008

she’s super freak

Arquivado em: filmes — by caroline @ 12:43 pm

pequena-miss.jpg

                                             
o filme não é lançamento, mas merece ser comentado sempre. todas as vezes que falo dele, descubro algum detalhe que não havia percebido, ou por distração, ou por pura falta de sensibilidade – esse filme não é para os menos atentos. longe da pretensão de fazer uma resenha, ainda que ele mereça todas as honras (hollywoodianas ou não), acho que as indicações ao oscar foram muito justas – melhor filme, melhor roteiro original (michael arndt), melhor ator coadjuvante (alan arkin) e melhor atriz coadjuvante (a fofíssima abigail breslin), mas as premiações nem tanto…

o roteiro ficou bacaninha, e provoca do começo ao fim o efeito desejado: afastamento, aproximação e identificação. reafirma-se o clichê reproduzido no cartaz - ”de perto nenhuma família é normal” -, apesar do filme mesmo caminhar para o lado oposto do lugar-comum. pode-se dizer que é um road movie, mas de um outro modo: no caso, a viagem é interna, e as descobertas de cada um dos freaks acabam guiando toda a família para o mesmo lugar. alan arkin faz um avô-doidão “s-e-n-s-a-c-i-o-n-a-l”, das sandálias de turista francês à pochete pra guardar heroína. portanto, na minha premiação, os três (e não somente dois) levam troféus.

já a pequena miss olive é impressionante, pois toda sua força está nas entrelinhas, entre um silêncio e outro. ao tentar convencer o irmão a voltar para a kombi (quando ele descobre que é daltônico), e quando respira fundo (decidida) segundos antes da apresentação, olive não pronuncia uma única palavra, mas consegue surpreender a todos: a família e a nós espectadores. o engraçado é que tanta sabedoria não esconde em momento algum a delicada ingenuidade de criança. os óculos gigantes, o barrigão saliente e as pernas tortas pra dentro denunciam de cara a singularidade tão encantadora dessa pequena. “você viu, mãe, a miss califórnia gosta de sorvete!” estatueta especialíssima para abigail!

ah, ia esquecendo, a kombi também merece um troféu: o famigerado “troféu joinha”, entregue diretamente pelas mãos de nêgo-véio, claro!

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