quando alguém pergunta “qual o seu nome?”, sempre achei que responder com o sobrenome junto era “coisa de americano” (caipira), tipo: george w. bush, hillary clinton, barack obama – entre outros tantos menos famosos, como olivia ford, thomas friedman ou digamos maureen james.
pois eis que dia desses recebo email de uma amiga comentando que havia conhecido “cristiane almeida” num restaurante de poa, e que havia ficado impressionada. pensei: quem pode ser “cristiane almeida”, afinal? fiquei curiosíssima.
então, quase no final do texto ela revela que “cristiane almeida” era ninguém menos que uma criança gaúcha qualquer. uma criança que aprendeu com os pais (behavioristas, sem dúvida) a responder educadamente nome + sobrenome todas as vezes que lhe perguntassem (minha amiga fez o teste).
é óbvio que depois disso me juntei ao time dos impressionados, achando tudo aquilo profundamente patético, além de absurdo (cego e mudo, como diria outra amiga), foi então que lembrei de “sandra santiago”, também criança e amiga de uma priminha, que uma vez caiu na desgraça de nos visitar.
que tipo de pequenas anãs estão sendo criadas nos tempos atuais? que tipo de infância esses “pais de laboratório” querem dar a essas inocentes? já não basta o mundo? pois nem agora, convivendo com o âmago do mundo corporativo, respondo com meu sobrenome. me recuso. digo apenas meu apelido, bem mais sincero e pueril, como verdadeiras crianças que somos – e que devemos ser perenemente…