
todo mundo deveria passar pela experiência de morar em outra cidade. quando digo todo mundo, refiro-me a todas as pessoas que habitam este planeta, incluindo também aqueles que se escondem dentro dos armários ou embaixo das camas. sei que isso só seria possível se vivêssemos no ”fantástico mundo de bob”, onde o sol brilha em todos os quintais - mas vamos supor que estamos dividindo o asteróide do pequeno príncipe.
essas trocas se dariam num processo de intercâmbio universal e sistemático (catalogado num “organograma perfeito”, como diria uma amiga - e, pelo visto, preenchido por deus ou por alá), onde todos pudessem não só trocar suas vivências, como principalmente manter dentro de si a sensação de pertencimento do todo, do tipo: “esse mundo não é meu, esse mundo não é seu”.
nesse sistema, portanto, a dialética só viria depois da cibernética, pois o significado de “globalização” ganharia proporções inimagináveis - traduzindo para o bom esperanto: na práxis, as teorias seriam outras, como de costume. desse modo, várias e longas etapas deveriam ser vencidas para que fosse possível superar o choque de realidade – ou melhor, o choque cultural - e, enfim, chegar ao clímax-total do experimento, que é necessariamente uma catarse: a certeza de que o “mundo é um moinho”.
* às etapas:
1- “porque tudo no mundo acontece”;
2- “eu não sou da sua rua, eu não sou o seu vizinho, eu moro muito longe, sozinho”;
3- “respeito muito minhas lágrimas, mas ainda mais minha risada”;
4- “saudade, o meu remédio é cantar”;
5- “meio bossa nova e rock’n roll”;
6- “porque é preciso ser assim assado”;
7- ”socorro, não estou sentindo nada!”;
8- “estou aqui de passagem”;
9- “porque tudo no mundo acontece”;
10- “esse mundo não é meu, esse mundo não é seu”.
