
nos dias de atuais, quando vejo um circo mambembe por aí, meus olhos brilham, pois é uma das raras (e cada vez mais) garantias de que a esperança não morreu. isso significa que ainda há sonhadores nesse mundo selvagem, de onde se pode concluir que nem todas as almas foram vendidas…
dia desses, voltando do trabalho, fui atraída por uma música circense (com direito a tuba!) que me levou a um mini-circo (ou semi-circo, o fato é que ele era quase individual), mais ou menos assim: cenário retangular de madeira pintado de amarelo e azul (coberto de estrelas coloridas ao redor), cortina vermelha, e uma imensa boa vontade dos dois únicos palhaços que tentavam inutilmente chamar o público.
quando me aproximei, confesso que senti um medo enorme de que aquele fosse o circo dos horrores, incluindo tudo: mulher barbada, homem de duas cabeças, albino da austrália, anões de todos os tipos, e até siamesas grudadas pelo cérebro. como estava atrasada, decidi não esperar para conferir, e segui caminho pensando em como laranjeiras ainda mantém uma brejeirice latente…
além dessas aparições circenses, o bairro mantém até hoje a igreja principal em frente ao largo, chorinho tocado à tarde, coreto invadido por bêbados, mendigos, velhinhos, crianças e, claro, pelas “palomas blancas” sempre bem alimentadas. laranjeiras guarda uma personalidade interiorana escondida dentro da cartola mágica; e eu, que sempre fui tão urbana, me pego adorando essa bizarrice toda!