por conta do trabalho, fui obrigada a desbravar uma grande parte do interior do rio de janeiro, indo a lugares que até deus duvida – nem mesmo os cariocas desconfiavam de suas existências no mapa (acredito que alguns distritos, de fato, sequer constem da cartografia estadual). pois bem, tudo isso é pra dizer que descobri o seguinte: cidade de interior é igual em todo lugar.
é a mesmíssima desgraça que paira sobre cada telhado mal construído, as mesmas ruelas sem saneamento, as casas tortas, os moradores maltratados, aquele sol quente que resseca até pensamento (incluindo aí qualquer sonho para o futuro), e um silêncio doloroso, desconfortável, quebrado apenas pelas motocicletas (das quais os motoristas e seus acompanhantes nunca ouviram falar em capacete, claro) que passam rasgando aquele ar fervente.
mas as semelhanças não param por aí.
o povo fluminense também vota muito mal, e por isso cometem o mesmo erro de legitimar uns poucos em detrimento da ingenuidade da maioria. a consequência é que o despreparo generalizado e a falta de consciência cidadã são sempre devorados pela fome alucinante das ONGs, que enxergam cifrão $$$ em qualquer prato vazio. impressionante mesmo é como são treinadas para transformar qualquer miséria em oportunidade, e para isso costumam andar por essas ”terras de ninguém” tão famintas quanto urubus na disputa pela carne mais podre e mais fedida - “os urubus só pensam em te comer!”
então, diante desse quadro terrível, (sub)emerge a pergunta das profundezas de todo esse pântano: votar em quem agora? confesso que é impossível retornar desses “passeios” acreditando que o mundo possa ser melhor, ou que, pelo menos, ainda tenha jeito. não creio. em face do esvaziamento total do discurso, de uma sustentabilidade propagada apenas aleatoriamente, de um futuro sem água, sem verde e sem ar puro; mas em compensação com mudança climática, desmatamento acelerado e fome, quem ainda acredita, cara pálida? quem?