os rataplãs dos tambores gratificam!

Abril 24, 2008

otto lara entrevista nelson / da minissérie: 30 anos atrás – parte 5

Arquivado em: 30 anos atras — by caroline @ 9:45 pm

parte 1

parte 2

parte 3

esses casos de família e de dinheiro eu nunca entendi bem

Arquivado em: papo serio — by caroline @ 12:46 am

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fedra enforcou-se porque apaixonara-se pelo enteado, hipólito (que por isso morreu a mando do próprio pai, teseu). jocasta também enforcou-se após descobrir que se casara com seu filho, édipo (que causou a morte do pai, laio, e depois, para punir-se, furou os próprios olhos). medéia matou seus dois filhos para que jasão, seu marido, sofresse as consequências de sua infidelidade. 

as tragédias em família sempre aconteceram desde que o mundo é mundo, mas ainda hoje impressionam. o recente caso da morte da pequena isabella, de são paulo, não seria diferente. até agora nada foi comprovado (e também não há confissões), mas ao que indica a polícia, o cerco começa a se fechar, apontando como culpados a madastra, que por ciúmes(?) teria asfixiado a enteada; e em seguida o pai biológico, que teria jogado o corpo da filha pela janela do apartamento.

nessas histórias de família, intrigante mesmo é o motivo que desencadeia tanto ódio ao ponto de provocar a morte - aquela que dá fim a tudo o que é matéria. não sei até que ponto o ato é instigado pela insanidade, pela potencialização total das emoções, ou simplesmente pela desistência de tudo (incluindo aí a fé). a única certeza é a de que nada justifica.

o que eu sempre soube é que nenhum amor está garantido, nem mesmo o de família – até este deve ser conquistado todos os dias. sei também que não é todo mundo que está preparado para ser pai ou mãe, mas pouca gente pensa nisso. ter filhos é talvez o maior de todos os desafios, e o importante é saber que tê-los sempre pode ser uma escolha, assim como também é opção aquilo que se deixa de herança aos descendentes. 

nessas horas, ou transmitimos “o legado da nossa miséria”, nossos traumas terríveis, nossas mazelas de alma, nossa angústia corrosiva e nossa intensa solidão; ou mostramos que é possível (apesar de tudo) viver com delicadeza, carinho, solidariedade e principalmente com amor. o problema é que, diante dessas escolhas, acabamos caindo nas armadilhas do inconsciente, pois costumamos agir ”como nossos pais”. a reação é em cadeia: deixamos de herança aquilo que recebemos.    

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