os rataplãs dos tambores gratificam!

Abril 22, 2008

de onde o oculto do mistério se escondeu

Arquivado em: viagens — by caroline @ 10:13 pm

 

navegar pelas águas do velho chico é umas das experiências mais inacreditáveis, extraordinárias e estranhas. desses momentos que dividem nossas vidas em “antes & depois” - instante exato em que tudo dentro da gente muda, revira, desarruma, e para o qual nunca nos sentimos preparados.

no meio da viagem, ali em alto-rio, de repente um turbilhão de lembranças vêm à tona, tão confusas quanto as águas de qualquer rio quando desaguam no mar - não se sabe o limite em que termina uma e começa a outra. 

impossível traduzir(-se). 

o mistério que envolve o são francisco é muito mais forte do que presumimos, e do que suspeita o imaginário coletivo: é um processo individual, interno, que sai embaralhando tudo, transformando espanto e deslumbramento em quase-dor.  

entregar-se à magia do lugar é tão fundamental quanto aprender a sentir, pois ao silêncio que corta as rochas alaranjadas dos paredões, juntam-se o canto de iara (mãe d’água), e as gargalhadas soltas do negro d’água, duas lendas que ajudam a compor o sertão miserável de virgulino - mas poucos sabem disso.

depois dessa experiência, entendi que o velho chico é um grande divisor de águas que rearranja não só as terras por onde passa, mas principalmente as vidas de quem se deixa invadir por seus encantamentos. no entanto, é preciso estar consciente de sua força, que impulsiona e carrega tudo para o mar: ”maré de lembranças, lembranças de tantas voltas que o mundo dá…”  

Provido por WordPress.com