os rataplãs dos tambores gratificam!

Abril 14, 2008

o grito

Arquivado em: papo serio — by caroline @ 3:48 am

a experiência de finalizar o mestrado me ensinou tanto que não saberia explicar aqui, com palavras, a intensidade do aprendizado (muito mais pessoal que profissional, claro). bom, mas de toda essa infinidade de dúvidas e críticas e incertezas provocadas pela vivência acadêmica, uma única conclusão bastante clara consegui tirar: a busca pelas definições e pelos enquadramentos é o maior equívoco que se pode cometer e certamente a maior bobagem que se pode ensinar a alguém. complexidade requer liberdade, só que infelizmente nem todo mundo pensa assim.

tudo bem, você dedica horas dos seus dias exclusivamente à leitura, se dispõe durante meses a buscar uma resposta, pensa e repensa e volta a pensar, dá asas à ansiedade, transforma a loucura latente em aliada, sofre com a pressão interna e externa por conta do prazo que se esgota (um dia a mais é sempre um dia a menos), sobrevive (deus sabe como) com uma merreca de bolsa, convive com as pessoas mais malucas possíveis (ok, você é até um pouco mais sensível que o restante dos mortais), mas, saiba, nada disso fará de você um verdadeiro intelectual.

o verdadeiro intelectual é admirável, e mais: ele é humano e não tem vergonha de sê-lo. sempre imaginei que quanto mais livros se lesse, automaticamente mais humanizado você se tornaria. e esse processo aconteceria de uma forma tão natural e tão imperceptível, que nem mesmo o candidato à intelectualidade perceberia a metamorfose interna - até o momento em que esse silêncio se transformasse em potencial criativo em expansão (é quando a mudez se rompe, misturando curiosidade com desejos de compartilhar as descobertas).

pois muito bem, qual não foi minha surpresa quando descobri que naquela universidade em que estudava existiam pouquíssimos intelectuais verdadeiros (aliás, eles são raríssimos e não existem em qualquer universidade de esquina). e isso naturalmente me deixou um tanto decepcionada, foi quando decidi procurar fora dali o que precisava, e é por esse motivo que reverencio tanto clarice, que me ajudou a encontrar o rumo das questões incertas e da negativa às definições frágeis e superficiais.

no livro ”a descoberta do mundo”, por exemplo, ela consegue libertar-se dos enquadramentos toscos a que as faculdades de letras e/ou de jornalismo insistem em impor: “sei que o que escrevo aqui não se pode chamar de crônica nem de coluna nem de artigo. mas sei que hoje é um grito. um grito! de cansaço. estou cansada!”. como não reconhecer a legitimidade desse texto?

é preciso deixar claro que essas imprecisões a que me refiro não estão perdidas no vazio, e muito pelo contrário. as questões mais duvidosas normalmente apresentam diversas respostas, o que as tornam indiscutivelmente bem mais completas e mais interessantes que as outras. e aqui chegamos ao ponto máximo: a complexidade do pensamento humano. tentar limitar essa característica tão fundamental é o mesmo que explicar o mistério: o final será o nada em sua forma menos interessante.   

panorama especial – clarice / da minissérie: 30 anos atrás – parte 4

Arquivado em: 30 anos atras — by caroline @ 1:18 am

parte 1

parte 2

parte 3

Provido por WordPress.com