
samádi e seus mistérios
em samádi é possível sentir de longe o cheiro das maçãs que ocupam toda a entrada da cidade. depois de ultrapassar o portal, duas ou três casinhas podem ser vistas, até que se consiga chegar à cidade propriamente dita – cuja localização exata não se pode definir.
dizem que o vilarejo se encontra entre duas fronteiras, motivo que atrapalha sua posição no mapa. entretanto, quando se entra em samádi, percebe-se que sua desorientação é apenas aparente, e que tudo ali se mistura, formando uma harmonia muito própria: as casas tortas, as ruas estreitas, os paralelepípedos, as árvores que se inclinam ora pra lá, ora pra cá.
samádi não precisa estar incluída nos mapas para existir, e só quem passa por ela sabe que essa é a maior de todas as verdades. sua característica é a de ser entrecortada por fortes ventos que se espalham, mas não é só por esse motivo que se assemelha a um grande deserto. não fosse pelo balançar das árvores, seria um imenso silêncio, pois é habitada basicamente por mercadores e comerciantes andarilhos.
a cidade recebe passageiros que chegam de todos os lugares, mas nenhum jamais arriscou ficar. permanecer em samádi não é um bom presságio. o mistério que a envolve oscila entre o terror e o encanto. muitos anos se passaram sem que ninguém soubesse dia e ano em que fora fundada, nem ao menos quem a povoou, e hoje samádi guarda apenas a memória de seu mistério.