
“qualquer estrada, esta mesma estrada de entepfuhl, te levará até ao fim do mundo.” mas o fim do mundo, desde que o mundo se consumou dando-lhe a volta, é o mesmo entepfuhl de onde se partiu. na realidade, o fim do mundo, como o princípio, é o nosso conceito de mundo. é em nós que as paisagens têm paisagem. por isso, se as imagino, as crio; se as crio, são; se são, vejo-as como as outras. para quê viajar? em madrid, em berlim, na pérsia, na china, nos pólos ambos, onde estaria eu senão em mim mesmo, e no tipo e género das minhas sensações?
a vida é o que fazemos dela. as viagens são os viajantes. o que vemos, não é o que vemos, senão o que somos.
bernardo soares