
o filme não é lançamento, mas merece ser comentado sempre. todas as vezes que falo dele, descubro algum detalhe que não havia percebido, ou por distração, ou por pura falta de sensibilidade – esse filme não é para os menos atentos. longe da pretensão de fazer uma resenha, ainda que ele mereça todas as honras (hollywoodianas ou não), acho que as indicações ao oscar foram muito justas – melhor filme, melhor roteiro original (michael arndt), melhor ator coadjuvante (alan arkin) e melhor atriz coadjuvante (a fofíssima abigail breslin), mas as premiações nem tanto…
o roteiro ficou bacaninha, e provoca do começo ao fim o efeito desejado: afastamento, aproximação e identificação. reafirma-se o clichê reproduzido no cartaz - ”de perto nenhuma família é normal” -, apesar do filme mesmo caminhar para o lado oposto do lugar-comum. pode-se dizer que é um road movie, mas de um outro modo: no caso, a viagem é interna, e as descobertas de cada um dos freaks acabam guiando toda a família para o mesmo lugar. alan arkin faz um avô-doidão “s-e-n-s-a-c-i-o-n-a-l”, das sandálias de turista francês à pochete pra guardar heroína. portanto, na minha premiação, os três (e não somente dois) levam troféus.
já a pequena miss olive é impressionante, pois toda sua força está nas entrelinhas, entre um silêncio e outro. ao tentar convencer o irmão a voltar para a kombi (quando ele descobre que é daltônico), e quando respira fundo (decidida) segundos antes da apresentação, olive não pronuncia uma única palavra, mas consegue surpreender a todos: a família e a nós espectadores. o engraçado é que tanta sabedoria não esconde em momento algum a delicada ingenuidade de criança. os óculos gigantes, o barrigão saliente e as pernas tortas pra dentro denunciam de cara a singularidade tão encantadora dessa pequena. “você viu, mãe, a miss califórnia gosta de sorvete!” estatueta especialíssima para abigail!
ah, ia esquecendo, a kombi também merece um troféu: o famigerado “troféu joinha”, entregue diretamente pelas mãos de nêgo-véio, claro!
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concordo concordo!
e acrescente aí, qual aspirante a garota sexy não deseja pra si a performance final da pequena miss?!!
bjsbjs
Comentário por irina — Março 26, 2008 @ 3:39 pm |
hahaha! como pude esquecer de detalhe tão fundamental?
Comentário por caroline — Março 26, 2008 @ 4:49 pm |
Gata garota, é isso ai aprendendo a colocar as fotos e tal e tudo! heheh Imagina esse blog quando estiver tudo dominado!heheheh
Comentário por Elke — Março 26, 2008 @ 5:56 pm |
hahaha! ainda tô numa briga feia, mas tenho tentado, tenho tentado!
Comentário por caroline — Março 26, 2008 @ 6:29 pm |
[...] Juno, aquele filme indie par excellence que eu, ao contrário de muita gente, achei bem melhor que Pequena Miss Sunshine (embora as propostas sejam diferentes e a única coisa que os aproxime de fato seja a veia [...]
Pingback por sobre um tanto de coisa « Ababelado Mundo — Abril 5, 2008 @ 10:21 pm |