os rataplãs dos tambores gratificam!

Março 30, 2008

sacundim, sacundém/imboró, congá/dombim, dombém/agouê, obá

Arquivado em: musicas — by caroline @ 1:06 pm

miriam makeba, aquela da famosíssima canção pata pata, arriscou-se um dia a interpretar “chove chuva”, do grande mestre jorge ben jor. o resultado foi a mistura de um português esquisito com um gingado de pseudo-cabrocha. até que deu certo…

mutació de la realitat – joan miró *

Arquivado em: pinturas — by caroline @ 12:50 pm

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el oro del azur , 1967                                          

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azur 3, 1961

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cantic del sol, 1975

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retrato IV, 1938

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personaje delante del sol, 1968

* o título, em catalão, nomeou a exposição comemorativa dos seus 90 anos, em 1983, produzida pela fundación joan miró de barcelona.

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Março 29, 2008

cores de almodóvar

Arquivado em: generalidades — by caroline @ 4:34 pm

fotocp1-07.jpg fotocp1-05.jpg fotocp1-08.jpg chavela_vargas_060701.jpg

a notícia é do dia 26/3, mas pra quem perdeu aí vai o link: blog-pedro-almodóvar.

não se pode falar dele, sem lembrar de chavela vargas, cantora que mais teve as canções tocadas em seus filmes. ele sempre dá um jeitinho de incluí-la, de uma forma ou de outra – porque de fato ela é incrível! uma das maneiras que achei mais interessante foi em la flor de mi secreto. leo (marisa paredes) é abandonada pelo marido, paco (imanol arias), e, arrasada, termina num bar, onde passa na tv um clipe bastante sugestivo – en el último trago.

e do meio do mundo prostituto só amores guardei ao meu charuto / da série: personagens 1

Arquivado em: personagens — by caroline @ 1:36 pm

adendo.

personagem do dia: ainda amigo burgos.

tenho recebido excelentes e fundamentais contribuições para que consiga compor da maneira mais completa minhas incríveis personagens - apesar de desconfiar que, de tão complexas, jamais conseguirei alcançar a verdadeira essência de cada um.

o fato é que olhares mais atentos mostraram que deixei escapar alguns detalhes viscerais de nosso amigo. se a vida é mesmo um teatro, ele certamente é um dos maiores protagonistas. então, vamos aos acréscimos:

amigo burgos sempre arruma a casa antes que a faxineira chegue - sente vergonha do seu próprio caos. um dia, ainda vai lançar um livro: “coletânea completa de trocadilhos burgeanos – proibido para menores. sacanagens e delírios de um trintão carioca”. é capaz de coisas que até deus duvida, portanto, jamais o desafie com um ingênuo “eu duvido!”. burgos é um pé-de-valsa completo - uma das coisas que mais gosta de fazer na vida é dançar, e faz performances (onde quer que esteja) que vão da dança do acasalamento às gloriosas auto-festas-marido-da-cabeleireira, já tão bem propagadas pelo amigo nêgo-véio!

acho que é isso! caso tenha esquecido algum detalhe, mandem mais informações!

e viva o amigo burgos!

sessão nostalgia, saudade não tem idade, recordar é viver!

Arquivado em: musicas — by caroline @ 3:35 am

aretha é um classicão que dispensa apresentações. escutá-la mais uma vez – e outra mais – dá sempre uma sensação de bem-estar!

Março 28, 2008

gente é pra brilhar, não pra morrer de fome…

Arquivado em: papo serio — by caroline @ 2:18 pm

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essas fotos são do sebastião salgado, claro. olhando assim, impossível não perguntar a si mesmo e ao mundo: como? como? agora que trabalho com narrativas de histórias de vida e com a preservação dessas memórias, as fotografias acima me doem ainda mais. fico pensando que tipo de lembranças essas pessoas poderiam guardar…

não quero enveredar pelo viés político da questão, apesar de achar que esse é um assunto extremamente político, mas não exclusivamente - assim como são as divisões de fronteiras e seus fechamentos, que vêm se contrapor à globalização, assim como são as guerras e a conseqüente formação de milhares de refugiados. num contexto geral, como separar a política de qualquer outra questão que envolva o homem? e nessas horas, como excluir a fome e a miséria? nessas horas, como nos excluir?

bom, mas se ainda existe nisso tudo uma parcela de humanidade, é possível manter a crença. o museu da pessoa, baseado na nova história francesa (que procura ver a história sob o ponto de vista do cotidiano), tem feito um trabalho admirável na captação de histórias de vidas de pessoas anônimas como nós, para que não passemos tão despercebidos pela vida. e muito provavelmente o fariam de pessoas como essas das fotos, se elas tivessem ao menos a oportunidade de falar, de comer, de sorrir, de construir qualquer memória – mas não são, sequer, tratadas como gente.

e por quê não? o que de fato nos separa dessas pessoas? estamos realmente tão distantes? outro museu que me parece promover um trabalho interessante - porém bizarro - na preservação das memórias de todos nós, é o museum of broken relationships. uma mostra itinerante (não chegou ao brasil, nem chegará) de objetos que representam, pra cada um que faz a doação ao museu, o rompimento de suas relações amorosas. é aí que percebemos quão próximos estamos uns dos outros. sem pieguices, mas só o amor é anterior ao homem e ao mundo: “amor é muito mais que amor: amor é antes do amor ainda”, diria clarice, no seu livro a paixão segundo g.h. e não somos todos gente, afinal? a solução é bem mais simples do que pensamos, e caetano já gritava isso há tempos: gente quer comer, gente quer ser feliz!

corrupta com requintes me deixa o teu amor

Arquivado em: pinturas — by caroline @ 4:04 am

achei que a frase da ana cristina cesar (do “inéditos e dispersos”), combinava com a pintura do picasso (“retrato de dora maar”).

dora_maar-picasso.jpg

Março 27, 2008

minha força não é bruta, não sou freira nem sou puta / da série: personagens 2

Arquivado em: personagens — by caroline @ 1:55 pm

personagem do dia: santa clara-clareou.

santa clara-clareou, vira e mexe, comete o pecado da gula. ninguém como ela franze a testa quando fala. piadista nata e hereditária, sempre solta um risinho quando termina a piada – sabe que é engraçada. ajeita os óculos de “gatinha do leblon”, e para manter a fama e o bronze, passa os finais de semana na praia. anda distraída pelas ruas do rio, e nem chega a perceber o pé que pisa errado. santa clara canta loucamente e é afinada, mas não se pode dizer que é a melhor dançarina. faz questão de manter a cabeleira loura, e foi um dos bebezinhos mais fofos que já vi. se recusa a tomar remédio, mas é viciada em própolis e ameixa umeboshi, a novidade do momento. domina o francês, e todos os anos viaja atéééé paris, mas também não dispensa um bom passeio por teresópolis e ilha grande. clara-clareou é intensa e, como boa geminiana, indecisa. muda de opinião de cinco em cinco minutos, e é capaz de optar pelo contrário com a mesma força. seu apelido é empolga-desempolga. é metida a intelectual e a não-intelectual ao mesmo tempo. ou é simplesmente metida. quando quer, não se enrola e emprega um desajeitado traquejo social que dá certo. promove as melhores auto-festas-coletivas! usa sempre os mesmos pretextos pra poder furar um programa: “tenho almoço (ou jantar) na casa de um irmão, de um primo, de um tio, de um parente distante…” a família é enoooorme! é chique, mas ao mesmo tempo preguiçosa: pode ir de biquíni por baixo da roupa do trabalho só para não ter que se trocar quando for para a natação. santa clara adora água – que passarinho não bebe. nunca dirigiu, e é a maior defensora dos transportes públicos e das longas caminhadas. ah, e ela adora virar “post do dia seguinte”!

que santa clara-clareou continue a nos iluminar!

troféu abacaxi: é ele?! / da minissérie: 30 anos atrás – parte 2

Arquivado em: 30 anos atras — by caroline @ 12:50 pm

encontrei esse vídeo do chacrinha, de 1978, promovendo o “concurso do homem mais feio do brasil”! de uma bizarrice fenomenal! e depois, pra completar o pão e circo, pocket-show da lady zú! divirtam-se!

momento pílulas de sabedoria ou um pouco de cultura inútil:
em 1978 foi publicada pela primeira vez a tira de quadrinhos garfield, do cartunista americano jim davis, e proclamada a declaração universal dos direitos dos animais, pela unesco.

Março 26, 2008

pelas praias do mundo

Arquivado em: livros e revistas — by caroline @ 5:09 pm

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comecei a viver em tantos lugares e em tantas horas diferentes de nossa época que não sei por onde começar: pelo grande ou pelo pequeno, pelo dentro ou pelo fora, pelo casaco ou pelo coração. tudo se funde dentro da gente, fora da gente, as vidas e os nascimentos, formando um círculo de folhas, de lágrimas, de fogo, de conhecimentos, de lembranças: e a vida de um homem é como a existência de um dia: o pó treme ao passar pela luz central, a vegetação acumula seu misterioso alimento feito de atmosfera e de profundidade, passam cantigas de crianças, de ébrios, de coveiros, soam as cozinhas do mundo, transportam os feridos pelo mar, nos trens intermináveis, as máquinas de escrever, as prensas, os motores vão se afundando em um crespúsculo do qual o dia desaparece, como um pequeno ciclista em um longo caminho, e restam apenas a noite permanente, as infinitas estrelas, a solidão imensa.

pablo neruda

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