fecha um ciclo, começa outro…
aos que acompanharam - e aos que não - a vida dessa página, informo a todos que ela chegou ao fim, nessa data querida, para que outros projetos possam se realizar.
aos que acompanharam - e aos que não - a vida dessa página, informo a todos que ela chegou ao fim, nessa data querida, para que outros projetos possam se realizar.

esse não é um livro de silêncios, nem de ausências, faltas ou vazios. também não é um livro de fracassos, e muito menos um livro não-escrito ao estilo fernando pessoa, “que poderia ter sido e que não foi”.
o autor desse livro é, sem dúvida, alguém extremamente sensível, que compreende o movimento de cada página em branco, e que por isso prefere apenas imaginar suas inúmeras possibilidades.
esse é certamente um livro sem começo nem fim. sua história não-escrita deixa de contar aos leitores um clássico-inédito, de modo que seria quase inacreditável não fosse o autor sujeito tão confiável.
a leveza proposta por calvino é absorvida em cada página, sendo possível compreender porque esse não é um livro aceito em qualquer livraria - nem é para ser lido por qualquer leitor.
esse é um livro provável, o que não quer dizer que seja misterioso. é brilhante, mas ao mesmo tempo insustentável: é um livro excêntrico com uma história não-escrita.
engraçado como existe uma tendência natural da vida de nos predispor desde pequenos ao que é fácil e cômodo.
a gente apre(e)nde nos livros de história que conquista é somente em casos de guerra, invasão, conflito, submissão e posse.
mas não é nada disso.
por exemplo, amores de família(s), namorado(s) e amigo(s), que a gente sempre acha que estão garantidos, até esses requerem um pouco da nossa dedicação e do nosso cuidado periódicos.
é preciso conquista para reafirmar cada afeto. confiança também é puramente conquista.
tenho pena daqueles que nunca enviaram uma carta, que nunca deram um presente sem motivo, que nunca ligaram apenas pra falar da saudade ou que simplesmente nunca foram capazes de surpeender…
1.
todas as coisas cujos valores podem ser
disputados no cuspe à distância
servem para a poesia
o homem que possui um pente
e uma árvore
serve para poesia
terreno de 10×20, sujo de mato – os que
nele gorjeiam: detritos semoventes, latas
servem para poesia
um chevrolé gosmento
coleção de besouros abstêmios
o bule de braque sem boca
são bons para poesia
as coisas que não levam a nada
têm grande importância
cada coisa ordinária é um elemento de estima
cada coisa sem préstimo
tem seu lugar
na poesia ou na geral
o que se encontra em ninho de joão-ferreira:
caco de vidro, garampos,
retratos de formatura,
servem demais para poesia
as coisas que não pretendem, como
por exemplo: pedras que cheiram
água, homens
que atravessam períodos de árvore,
se prestam para poesia
tudo aquilo que nos leva a coisa nenhuma
e que você não pode vender no mercado
como, por exemplo, o coração verde
dos pássaros,
serve para poesia
as coisas que os líquenes comem
- sapatos, adjetivos -
tem muita importância para os pulmões
da poesia
tudo aquilo que a nossa
civilização rejeita, pisa e mija em cima,
serve para poesia
os loucos de água e estandarte
servem demais
o traste é ótimo
o pobre-diabo é colosso
tudo que explique
o alicate cremoso
e o lodo das estrelas
serve demais da conta
pessoas desimportantes
dão para poesia
qualquer pessoa ou escada
tudo que explique
a lagartixa de esteira
e a laminação de sabiás
é muito importante para a poesia
o que é bom para o lixo é bom para poesia
importante sobremaneira é a palavra repositório;
a palavra repositório eu conheço bem:
tem muitas repercussões
como um algibe entupido de silêncio
sabe a destroços
as coisas jogadas fora
têm grande importância
- como um homem jogado fora
aliás é também objeto de poesia
saber qual o período médio
que um homem jogado fora
pode permanecer na terra sem nascerem
em sua boca as raízes da escória
as coisas sem importância são bens de poesia
pois é assim que um chevrolé gosmento chega
ao poema, e as andorinhas de junho.
(manoel de barros, matéria de poesia)
“esperaí que eu vou dizer, meu bem. é que a cpmf tem cabelo no peito, tem o queixo cabeludo e a css não tem…”
mesmo com toda aquela decidação quase “maternal” que cada político favorável à css nos oferece para tentar explicar que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa - e que ambas são “importantíssimas” - continuo sem entender a diferença entre cpmf (contribuição provisória sobre movimentação financeira) e sua nova máscara, a css (contribuição social da saúde) - já que ambas vão continuar saindo da minha conta e indo a lugar nenhum, ou melhor, irão parar nas notas da lancha ou do jatinho de qualquer um desses deputados f.d.p.
também continuo sem entender o ostracismo total a que chegou a política brasileira, e se atualmente não voto não é só porque estou “em trânsito” - já poderia ter transferido o título de eleitora para exercitar a cidadania a que tenho direito -, mas é principalmente porque não tenho nem vontade nem esperança.
sei que ficar apenas falando mal à distância e deixar que os outros (”o inferno são os outros”) votem e decidam não é a melhor opção. mas acaso existe outra? escolher entre sidney magal, wagner monte ou gretchen, ainda prefiro optar pela minha dignidade - essa que é, de longe, a maior e melhor contribuição (financeira e/ou social) que posso dar ao país.
sendo eu mais uma personagem de mim mesma, por ora não encontro palavras certas - ou exatas - que consigam me descrever (pra ser sincera, nem sei se algum dia seria capaz disso). mas posso adiantar o seguinte: eu sou assim.

estava eu navegando pacata e serenamente pela internet, quando tropeço nessa imagem dramática. o desenho lembra (nada remotamente) três amigos geminianos, que por acaso completam anos por esses dias. coincidência ou não (nada é coincidência), deixo aquele abraço aos companheiros pescoçudos: santa-clara-clareou, burgos e nêgovéio!


como ótimos exemplares do signo, aqui eles estão ansiosos para que chegue logo a hora de apagar as velinhas - e se tornarem os centros das atenções!
quando alguém pergunta “qual o seu nome?”, sempre achei que responder com o sobrenome junto era “coisa de americano” (caipira), tipo: george w. bush, hillary clinton, barack obama - entre outros tantos menos famosos, como olivia ford, thomas friedman ou digamos maureen james.
pois eis que dia desses recebo email de uma amiga comentando que havia conhecido “cristiane almeida” num restaurante de poa, e que havia ficado impressionada. pensei: quem pode ser “cristiane almeida”, afinal? fiquei curiosíssima.
então, quase no final do texto ela revela que “cristiane almeida” era ninguém menos que uma criança gaúcha qualquer. uma criança que aprendeu com os pais (behavioristas, sem dúvida) a responder educadamente nome + sobrenome todas as vezes que lhe perguntassem (minha amiga fez o teste).
é óbvio que depois disso me juntei ao time dos impressionados, achando tudo aquilo profundamente patético, além de absurdo (cego e mudo, como diria outra amiga), foi então que lembrei de “sandra santiago”, também criança e amiga de uma priminha, que uma vez caiu na desgraça de nos visitar.
que tipo de pequenas anãs estão sendo criadas nos tempos atuais? que tipo de infância esses “pais de laboratório” querem dar a essas inocentes? já não basta o mundo? pois nem agora, convivendo com o âmago do mundo corporativo, respondo com meu sobrenome. me recuso. digo apenas meu apelido, bem mais sincero e pueril, como verdadeiras crianças que somos - e que devemos ser perenemente…
não sei se existe sensação mais agradável - e ao mesmo tempo mais inebriante - do que a de um banho de mar (não importa a temperatura da água).
quando emergimos daquele mergulho fundo e puxamos o ar a plenos pulmões, abrimos os olhos e testemunhamos felizes o milagre.
os pés descalços enfiados na areia, o vento contra o rosto e uma certeza – certamente passageira – de que a vida é isso.
coisas que só acontecem na “terra do sol” (quente): no mesmo restaurante são servidos rodízios de tapioca, pizza e sushi! detalhe: a decoração do local une - mistura ou confunde, já não sei - caribe e sertão ao som das músicas francesa, latina e africana. uma loucura, mas tudo no capricho. é o ceará globalizado ou seria a globalização cearense?!
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